Adeus Afeganistão

Era uma das decisões mais antecipadas. O 11 de Setembro deste ano marca o 10º aniversário dos atentados nos Estados Unidos e já passaram quase tantos desde o início da guerra no Afeganistão. A retirada gradual anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi por isso uma decisão saudada pela opinião pública.

Cansados dos constantes relatos de ataques e emboscadas a soldados norte-americanos, dos custos humanos e materiais da guerra, os Estados Unidos querem os seus filhos de volta. Mais de 1500 soldados norte-americanos morreram durante esta década de conflito e o número de vítimas mortais aumenta todos os dias.

Assim, a ideia do Presidente norte-americano é de reduzir, em um terço, o número de militares no Afeganistão. A retirada gradual começa já, e até ao final do ano cerca de 10 mil soldados já terão chegado a casa e, até ao próximo verão, esse número terá subido para 33 mil. As restantes forças militares serão retiradas gradualmente.

A decisão foi recebida com entusiasmo pelas autoridades afegãs e pelos líderes dos países aliados  (que também começar a retirar tropas do país). A opinião pública afegã divide-se entre os que saúdam a decisão e os que temem um aumento da violência.

O problema no meio de tudo isto é que a situação no Afeganistão não parece ter melhorado assim tanto nos últimos anos. Hoje, 20 pessoas morreram num atentado a um hospital, um dia depois de uma explosão ter morto outras 10 e ferido 24 na província de Kunduz. Além disso, a violência chega agora a áreas que anteriormente não eram afectadas.

Os insurgentes Taliban continuam a lutar pelo controle do país e o governo de Hamid Karzai não dá sinais de ser capaz de aguentar o barco sozinho. Aliás, ao longo dos anos, Karzai foi por diversas vezes acusado de corrupção e por inúmeras vezes criticou, publicamente, os norte-americanos que o colocaram no poder. Ainda assim, o pior é que, ao fim de quase 10 anos de conflito, a retirada das forças norte-americanas pode muito bem constituir um regresso à situação em que o país estava antes da guerra. Sobretudo se os Taliban conseguirem regressar ao poder.

Importa por isso perceber em que moldes será feita a retirada. Parece consensual que a situação actual é incomportável para os Estados Unidos que continuam a enterrar homens e dinheiro no deserto afegão. Além disso, está na altura de os afegãos se responsabilizarem pelo seu próprio destino. Até que ponto têm condições para o fazerem? Essa é outra questão.

O investimento norte-americano no Afeganistão foi forte nestes últimos 10 anos, ainda que nem sempre bem coordenado. As forças militares do país ganharam outro folgo, outra organização, novos meios e ainda que a situação não seja a ideal…dificilmente o seria.

Com o enfraquecimento da Al-Qaeda (consequência da morte de Osama bin Laden), com o acompanhamento necessário, com maturidade por parte das autoridades afegãs e com um pouco de sorte, esta transição ainda pode ser um sucesso. Se não, aqui estaremos, novamente, daqui a dez anos quando uma nova intervenção militar for necessária.

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