Sem Perder Tempo

Apanhou muitos de surpresa. Assim de fininho, como quem não quer a coisa, o primeiro-ministro anunciou um novo imposto que vai tirar aos portugueses o equivalente a metade do subsídio de Natal menos o valor do salário mínimo.

Há quem acuse Pedro Passos Coelho de incoerência, pelas inúmeras declarações pré-eleitorais que prometiam não cortar os subsídios ou pelas imposições feitas ao anterior Governo para viabilizar o Orçamento do Estado. A todos esses só posso dizer: é política.

Ainda que possamos e devamos exigir dos nossos representantes mais e melhor, não podemos ser tão inocentes. A verdade é que de fora a visão é sempre mais turva e há sempre a tentação de prometer o mundo, mesmo quando se sabe que não se pode cumprir.

Mais do que o imposto, o que me parece preocupante no meio disto tudo são as eventuais pressões, de que pode ter sido alvo o primeiro-ministro, no “caso Bairrão”. As alegadas divergências com José Eduardo Moniz e com a Ongoing, uma das interessadas na privatização da RTP, parecem credíveis e fazem sentido.

É um daqueles temas que move muitos milhões, muitos interesses e a ter acontecido tamanha pressão é de temer a permeabilidade do primeiro-ministro. Que me perdoe a Ongoing mas o que acontecerá quando em jogo estiverem os interesses de empresas ainda maiores, como alguns Bancos, a Galp, a TAP, a PT ou a EDP, todas gigantes, todas  em linha para serem privatizadas.

Voltando ao imposto, com a derrapagem orçamental do costume – à bom português -, com 2 meses de Governo de gestão, com intervenção da troika, era previsível. Chegou e chegou a tempo. Pedro Passos Coelho não esteve com meias medidas, encarou o animal de frente e não perdeu tempo.

O mandato ainda agora começou e não tem oposição no parlamento – o PS sem líder é uma sombra do que foi, o PCP é o do costume e o BE está fragmentado e assiste a uma luta constante na liderança. Assim, a coisa até pode correr bem, Portugal pode de facto cumprir o prometido e como não há barulho, daqui a 4 anos ninguém se lembra. Sorte ou não, Passos parece estar bem encaminhado.

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3 respostas a Sem Perder Tempo

  1. Vitor Hugo diz:

    (O subsídio de Natal também envolve milhões, estão é distribuídos pela arraia miúda.)

    “É política”. E tudo está bem quando… “Passos parece estar bem encaminhado”.
    Sou injusto na análise?

    Cumprimentos.

    • O termo que escolheria é “redutor”, sobretudo por causa do parágrafo que a primeira citação antecede. Mas do ponto de vista político é isso que se passa.

      Se me perguntar se fico feliz com o imposto, a resposta terá de ser não. Trabalho a recibos verdes, vão me tirar metade de algo que nem sequer recebo. Mas se compreendo, sim, se acho necessário, acredito que sim.

      Como referi no post, preocupa-me mais a possível permeabilidade do nosso primeiro-ministro a pressões externas que serão ainda maiores quando chegar a altura de privatizar, ou não, as empresas que referi.

      • Vitor Hugo diz:

        “Acredito que sim”. Portanto, é uma questão de fé. Não de matemática, nem da boa-fé das pessoas envolvidas na decisão, porque isso não é importante e mentir é “política”.
        Sim, injusto (e redutor) outra vez, mas não muito.
        Cumprimentos.

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